Lágrimas (1994)

 

Lágrimas que caem dos meus olhos

com a sutileza de um terremoto

que me fazem padecer em um mar vazio

com a triste ilusão de ser feliz.

Tenho a minha garganta inflamada

de tanto pigarrear palavras de amor

tão nobre de gesto simples

e gritando afonicamente a sua fraqueza.

O mundo é tão grande, até onde meus olhos alcançam

e se cansam ao perceber que nada mudou

tudo continua como nunca esteve

e eu aqui...

tentando decifrar um poema em português.

Sempre estou usando palavras sem nexo

que não tem sentido e não tem tradutor

fico sempre sentado nas dunas

e esqueço que tenho que viver

a vida é tão significativa

como uma novela sem fim

lágrimas que caem dos meus olhos

não sei dizer se é bom ou ruim

mas eu preciso viver

e para viver eu preciso de mim.

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